março 04, 2009

Religião e Sociedade

Aconteceu um fato hoje que me deixou muito pensativa sobre questões religiosas e sociedade. Uma menina de 9 anos fica grávida de gêmeos, após ser vítima de estrupo pelo padastro e a Arquidiocesse de Recife entrou com um pedido no Ministério Público pra tentar impedir a realização do aborto.

Fiquei pensando: Até onde vai o valor da religião e os valores humanos?

Meu Deus, uma criança, 9 anos, o corpinho ainda não tá nem formado, aguentar uma gestação e ainda gemelar? Quem é mãe sabe que uma gestação é difícil e complicada, quando tiramos todo o romantismo em volta dela. Pense isso na vida de uma criança?

A pequena nem deveria tá entendendo direito o que tá acontecendo no corpinho dela. É muita crueldade permitir isso. Sem falar no risco de morte que ela estaria correndo.

Aí eu me pergunto: Cade a compaixão que a Igreja tanto prega? Será que o bom senso não pode superar os preceitos religiosos num caso como esse?

Sou católica, batizada, comungada, crismada e frequento a missa todos os domingos, mas sinceramente não entendo esse tipo de posição. É muita falta de respeito a vida. Será que era mais interessante colocar tres vidas em risco do que poupar a vida de uma criança, e abrir mão de outras duas? Será que a cabecinha, o psicológico mesmo, dessa menina é menos importante do que seguir as leis católicas?

Onde está o amai-vos uns aos outros, o perdoar sete vezes sete e tantos outros ensinamentos de Jesus? Onde está o entendimento ao próximo, a compaixão, a tolerância?

Sinceramente não acredito que o homem viva bem sem sua espiritualidade. Mas também não consigo conceber que a religião seja regente impacial da vida de uma pessoa. Tudo tem seu limite.
Há casos e casos. E esse é um exemplo que o bom senso, o valor à vida humana devem ser levados em consideração além das questões religiosas.

Ah! O acerbispo disse que vai excomungar os autores do procedimento do aborto. Cadê a tolerância?

Volto a uma máxima minha: a Igreja é muito mais humana do que santa.
E as pessoas ela compõem no final das contas, acabam se trancando nos seus proprios conceitos e ignorando o irmão.

E a fé que realmente realiza obras.

Eu tenho fé...

Mas ainda fico irada com esse tipo de postura.

Pai, perdoai-me....

Um comentário:

Paulo César disse...

Debby.

Concordo plenamente com você. Eu também sou católico, batizado, crismado e frequento as missas.

Mas não posso concordar com o posicionamento da Igreja nesse e em muitos outros casos. A Igreja precisa se modernizar e, principalmente, deixar de ser intolerante,radical em casos excepcionais como esse.
Esse caso da gravidez da criança é uma excepcionalidade, e assim precisa ser entendido e tratado por todos, inclusive pela Igreja.

Tem que prevalecer o bom senso, e nesse caso penso que o bom senso é pela interrupção da gravidez, ainda mais que é de risco para a mãe pela sua pouca idade e por ser fruto de um estupro.

Tambem estou indignado.